Todos sabem que em diversos filmes da Pixar, existem os chamados "easter eggs". Easter eggs são referencias de outras midias contidas em uma determinada produção, como o caminhão da Pizza Planet aparecendo em todos os filmes. Um americano chamado Jon Negroni escreveu uma teoria que todos os filmes da Pixar realmente fazem parte de um macabro universo.
Eis a teoria:
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A base da teoria consiste em que todos os filmes da Pixar acontecem em diferentes momentos de uma gigantesca linha do tempo. E que todos os eventos que acontecem em algum filme influencia o que acontece em outros. E tudo começa, obviamente com Valente que é o primeiro filme na linha do tempo. O filme explica como animais e objetos inanimados se comportam como humanos durante os filmes da produtora.
No filme, Merida descobre que existe um certo tipo de “magia”, e que ao tentar resolver seus problemas ela acaba transformando a mãe dela em um urso. Descobrimos que essa magia vem de uma velhinha bem da esperta está ligada aos tais ‘foguinhos’ azuis misteriosos que são fonte dessa magia. Em Valente não vemos apenas animais se comportando como humanos, mas objetos inanimados também, como as vassouras na lojinha da bruxa.
A tal bruxa atravessa portas e desaparece misteriosamente. Não se esqueça disso, pois isso vai ser discutido mais a frente da teoria. A bruxa pode ser alguma pessoa que conhecemos...
Enfim, séculos depois de quando a história do filme se passa, os animais que foram cobaias da bruxa se reproduziram, criando assim uma grande população de animais que iam ganhando cada vez mais a capacidade de ‘personificação’ e inteligência.
A partir daí temos duas pontos importantes: a evolução dos animais e da inteligência artificial. Os eventos narrados em Ratatouille, Procurando Nemo e Up, mostram uma queda de braço constante entre humanos, animais e máquinas. Essa queda de braços arma o palco para algo bem maior que está por vir na timeline proposta pela teoria.
Em Ratatouille, vemos Remy tendo que conviver com sua crescente ‘personificação’. Enquanto sua colônia ainda se comporta como ratos ‘normais’, Remy não só quer cozinhar como entende absolutamente tudo sobre o negócio. O ratinho constrói uma relação de amizade com um pequeno grupo de humanos, porém o vilão do filme, o Chef Skinner simplesmente desaparece. O que será que Skinner fez com o conhecimento de que animais conseguiriam transcender seus instintos e suas capacidades, fazendo coisas – como cozinhar – melhor que humanos? Como conhecemos o Skinner, sabemos que ele não ficaria de boca fechada.
Será possível que esse rumor deu a ideia para que Charles Muntz – o vilão em UP – pudesse inventar bugigangas que dessem voz aos pensamentos de animais, mais especificamente seus cachorros? Os colares ~tradutores~ mostraram para Muntz que os animais seriam mais inteligentes e mais parecidos com humanos do que imaginávamos. É bom ter em mente que essa tecnologia foi criada para capturar um animal exótico que nosso antagonista aqui era obcecado.
Ao fim de UP, Doug e os outros cães são libertados e não sabemos quais são as consequências. Doug obviamente fica com Carl, mas e os outros cães? Podemos supor que a partir daí os humanos já tenham descoberto o potencial dos animais e o quão inteligentes eles seriam de verdade. Os humanos então começam a ‘contra-atacar’ para não perder o seu domínio, focando assim num crescimento tecnológico agressivo que culminará no mundo destruído que vemos em Wall-E.
No início de UP, Carl é forçado a sair de sua casa porque uma corporação está em plena EXPANSÃO pela cidade. Qual corporação é a culpada pela poluição da terra? Que causou a destruição de qualquer forma de vida na terra? A By-N-Large, ou a BnL.
By-n-Large (BNL), a corporação que quando o mundo ‘acabou’ controlava absolutamente tudo no planeta. No comercial “History of BNL” ficamos sabendo que a BNL tomou conta inclusive dos governos do planeta. Ou seja essa corporação conseguiu a dominação mundial.
Em Procurando Nemo, temos uma população inteira de criaturas do mar se unindo por uma causa nobre, um pai em busca do filho que foi raptado por humanos. A BNL aparece no filme também, em uma notícia que fala sobre o vasto e maravilhoso universo embaixo d’água. Procurando Nemo é mais um exemplo de que os tais ‘animais inteligentes’ já estão dando nos nervos dos humanos.
Por que a Dory é tão considerada tão ‘estranha’? Por que ela não é ‘normal’ como os outros animais que vemos no filme? Bem, porque ela não é tão inteligente assim. As falhas de memória podem ser analisadas como uma pequeno atraso na evolução (que comentei lá em Brave) de Dory. O que pode nos mostrar o quão rápido alguns animais estão evoluindo. A ponto de deixar outros para trás no processo. Talvez encontraremos mais respostas e na sequência de Procurando Nemo, em que o foco será na própria Dory. Além disso poderemos ter uma visão maior em relação a essa animosidade crescente entre humanos e animais. Até porque esse é o mais longe que chegamos no que se trata dessa ‘briga’. A partir de agora é humanidade vs inteligência artificial. O que nos leva diretamente ao primeiro filme da timeline a tratar do assunto: Os Incríveis. Se eu te perguntar quem é o vilão do filme, você irá rapidamente dizer “É o Síndrome uai.” (talvez sem o uai). E se eu disser para você que são as máquinas os grades vilões por trás do pobre ~Gurincrível.
Ao mesmo tempo em que toda essa evolução dos animais acontecia, também ocorria a evolução das máquinas, nos levando ao filme Os Incríveis, história da família de super-heróis que volta à ativa após um período de proibição do uso dos poderes por super-humanos. A história acontece, muito provavelmente, na década de 1970 ou 1980, então funciona como um antecedente de Toy Story. O vilão, Síndrome, assassina super-heróis para se vingar de seu antes ídolo, Sr. Incrível. Mas esse é o ponto: Síndrome não possui super poderes, ele usa tecnologia para cometer seus crimes. A questão é: Síndrome realmente é o culpado? Sua vingança não é simples, ele vai muito além do que deveria, pois a única coisa feita pelo Sr. Incrível foi desapontá-lo, porém ele mata super-heróis utilizando seu omnidroid, uma inteligência artificial (I. A.) assassina.
Quando o Sr. Incrível é pela primeira vez informado acerca do omnidroid, Mirage diz que aquela é uma máquina a qual, de certa maneira, se rebelou, e o super-herói coloca que as máquinas já estão tão inteligentes a ponto de poderem até questionar por que recebem ordens. Após um tempo, o omnidroid se volta contra seu criador, ação que pode nos fazer pensar acerca do atual papel de Síndrome. Na verdade, ele poderia estar sendo controlado pelas I. A.s para destruir os super-humanos, o grande obstáculo à dominação mundial das máquinas feita através da BNL. Por exemplo, pode-se notar, quando Edna explica a morte de alguns super-heróis, que eles foram mortos por objetos, máquinas, tal como aconteceu à super-heroína que foi sugada pela turbina do avião.
Agora, podemos pensar acerca do problema das máquinas em relação aos humanos. Os animais já tinham esse problema, tudo porque os humanos os usaram para conseguir o que queriam e estavam poluindo a Terra. Para entender mais das máquinas, é necessário olhar Toy Story. Nesse filme, vemos brinquedos, que nada mais são que objetos comuns inanimados, com vida. Brinquedos não são máquinas, então qual a ligação? E como ganharam vida? Mais uma vez, a resposta está em Síndrome. Ele diz ao Sr. Incrível que seus lasers são alimentados por Energia de Ponto Zero. Acredite, isto é realmente uma teoria da física quântica, sendo a energia de ponto zero a energia existente no vácuo. Esta é uma explicação razoável para como os brinquedos adquirem vida.
Em Toy Story, é clara a insatisfação dos brinquedos em relação aos humanos, os quais, quando crescem, rejeitam-nos ou fazem deles objetos de exposição. Por exemplo, Jesse, a menina vaqueira, decepciona-se com Emily, sua antiga dona, ou quando os brinquedos, liderados por Woody, atacam Sid. Assim, os brinquedos, assim como as máquinas, também acabam por defender a ideia de dominação mundial, apesar da grande dependência destes objetos pelos humanos. O filme parece dar dicas de que os brinquedos (isso também vale para as máquinas) realmente necessitam dos humanos, visto que, quando são guardados por muito tempo e deixados de lado, acabam por morrer, quebrar, tornando-se obsoletos. Ou seja, os humanos são necessários. Mas nesse filme, as máquinas já começaram seu processo de dominação e já estão livres, pois nos anos 2000 já não existem mais super-humanos. Acontece que a dominação não é pela força ou de uma forma direta. Não, ela é discreta, toda feita através da BNL, deixando os humanos confiar cegamente em seu poder, suprindo cada uma de suas necessidades. Qual a consequência disto? Poluição, o que gera a raiva dos animais e consequentemente sua tentativa de tomar o controle. Quem protege os humanos? As máquinas. Elas vencem e, a partir daí, não se vê mais animal algum na Terra. Quem sobra? As máquinas, ou melhor, Carros.
Os humanos, como a Terra se tornou um planeta impossível de se viver, foram para o espaço, onde acontecem os eventos de Wall-E. No filme, os humanos não fazem nada, a não ser ter suas necessidades satisfeitas. As máquinas fazem absolutamente tudo pelos humanos, como se estes fossem brinquedos, exatamente como os humanos faziam com elas.
Enquanto isso, na Terra, os carros vivem maravilhosamente. Viajam, correm, e muito da cultura humana se mantém vivo. Mas há um porém: como já dito anteriormente, as máquinas precisam dos humanos para sobreviverem. A BNL havia prometido limpar a Terra para o retorno dos humanos, porém falhou nesta empreitada. Qual a consequência? A morte das máquinas na Terra. Sendo Wall-E o único sobrevivente. Pode ser que a paixão do robozinho pelos humanos e sua amizade com a barata tenham provido o necessário para ele continuar vivo, sendo estes dois fatores substitutos da relação direta com os humanos. Ele tinha sempre em mente os tempos de paz entre os humanos e as máquinas.
No fim do filme, os humanos retornam à Terra e trazem consigo, graças a Wall-E, a nova fonte de vida do planeta: a plantinha dentro do sapato. Nos créditos do filme, é visto que a planta cresce e se torna uma grande árvore, muito parecida com aquela de Vida de Inseto. O argumento aqui é meio falho, mas existem outros motivos para se colocar Vida de Inseto depois de Wall-E na cronologia.
Em Vida de Inseto não aparecem humanos justamente porque existem muito pouco deles, mas os insetos existem em variedade, pois conseguiram sobreviver com mais facilidade, pista dada pela barata de Wall-E. Além disso, outro fato que corrobora com a colocação deste filme no futuro é justamente como os animais agem: os insetos têm cidades, bares e circos. A influência humana na vida dos insetos é muito maior do que dos animais pré-Wall-E. Ainda existem humanos, fato comprovado pelo mosquito que afirma ter tido as asas arrancadas por uma criança, mas ainda assim os humanos praticamente não são citados. Um inseto até diz para Flik tomar cuidado com o mundo lá fora, pois existem “cobras, pássaros, e insetos maiores”, mas nada de seres humanos.
E então? O que acontece depois? Muitos séculos se passam e uma nova raça nasce: monstros. A civilização dos monstros acontece num futuro muito distante. O interessante é que, como apontado em Universidade dos Monstros, a universidade foi fundada em 1313, levando-nos a concluir que Monstros S. A. se passa 1400 anos ou mais depois de Vida de Inseto. Sendo assim, os monstros recomeçaram o calendário.
Os monstros são, possivelmente, animais geneticamente alterados pela radiação que durou pelo menos 800 anos (período no qual a humanidade estava no espaço). Claro que a mutação não ocorreu durante Wall-E, pois levaria muito mais tempo para aqueles animais tornarem-se os monstros. Outra ideia, bastante nojenta, é que os monstros seriam o resultado do cruzamento de humanos e animais… Mas seja como for, deve ser discutido o que houve com os humanos. Uma ideia é a seguinte: os monstros, com o tempo, esqueceram a necessidade que tinham dos humanos e acabaram por eliminá-los de vez. Porém, redescobriram-na quando precisaram de energia. Assim, eles descobrem uma forma de ir para o mundo humano e conseguir a energia da qual necessitam. Acontece que as portas utilizadas no filme não levam à outra dimensão ou outro mundo, elas são portais temporais. Os monstros voltam ao passado, ao período em que os humanos ainda dominavam o mundo ou pelo menos criam nisso, e assim conseguem sua desejada energia. É interessante pensar na relação entre os animais e os humanos: não parece ter sido nunca mais a mesma, visto que era instintivo dos monstros acreditar que tocar em humanos era algo letal. Crença gerada pela cicatriz da ferida. Outra explicação seria que os monstros perceberam que mexer com o tempo poderia alterar sua existência, levando-os até mesmo a não existir, e por isso proibiram o contato direto com os humanos. De qualquer forma, eles acabam por assustar os humanos para conseguir a energia, mas depois dos acontecimentos percebem que o riso funcionava melhor. Assim chegou ao ponto no qual os animais, as máquinas e os humanos finalmente viveram em paz. Para corroborar com a ideia da viagem temporal, pode-se comparar os trailers que aparecem em ambos os filmes. São idênticos, exceto pelo fato de o de Vida de Inseto parecer muito mais velho e destruído que o de Monstros S. A., claramente habitado.
Assim, fica claro que Monstros S. A. é o filme mais futurístico da Pixar. Mas há uma personagem da qual falta falar e é muito importante para a história dos monstros: Boo. O que houve com ela? A teoria diz o seguinte: ela, após os acontecimentos do filme, obviamente cresceu e possuía lembranças do ocorrido. Ela se tornou obcecada em reencontrar Sully, o seu gatinho. Por que os animais de sua época não eram como aqueles que ela viu? Sua obsessão à leva a buscar respostas, mas ela lembra de algo mais: “portas” eram a chave, era assim que se mudavam os ambientes. Depois de muita pesquisa, ela encontra a resposta. Torna-se, então, adivinhe: a bruxa de Valente.
Lembra que a bruxa sempre desaparecia quando atravessava portas? Pois é, Boo descobriu que a fonte das viagens temporais eram os will-o’-the-wisps e assim passou a vida criando diversas portas para encontrar Sully. Uma comprovação disto é a imagem abaixo, um desenho de Sully na casa da bruxa.
É possível até ver na mesa de trabalho uma escultura de madeira do carro do Pizza Planet (a pizzaria de Toy Story onde Sid captura Woody e Buzz). Como essa bruxa conhece isso? Ela vivia na Idade Média, é óbvio que não existia. Assim, o argumento da viagem temporal faz bastante sentido aqui.
É comentado também que as várias pistas e ligações de um filme para outro da Pixar foram deixadas por Boo em suas constantes viagens pelo tempo. Mas a grande pergunta: como ela faz isso? Só magia? Talvez a resposta esteja na madeira, aliás, talvez a resposta seja a madeira. As portas utilizadas pelos monstros os monstros usavam era de madeira. Charles e Ellie sentavam-se sob a sombra de uma árvore, que também se parecia muito com a de Vida de Inseto, então será que a energia emanada da árvore não era a fonte da criatividade de Charles (o qual pensou numa casa que voava através de balões) e de Flik (que construía invenções fantásticas)?
Essa necessidade por energia, provida pela madeira, pode explicar até o aparecimento de Flik e da Lagarta em Toy Story 2, visto que, em uma de suas viagens, Boo pode ter parado no futuro pós-Wall-E e precisava de madeira para viajar pelo tempo, então encontrou a árvore de Vida de Inseto e, sem querer, acabou trazendo alguns insetos consigo na viagem. Agora, também se pode esclarecer o porquê de Boo ter escolhido viver na Idade Média: lá existia muita madeira, energia, e também é onde se encontravam os will-o’-the-wisps, a fonte de tudo.
Com isso, deduz-se que todo o universo da Pixar reside na busca de Boo. Seu amor por Sully é a pedra angular deste universo. Isso gerou todos os acontecimentos, toda a guerra, a cobiça por energia. Mas também gerou a busca por evitar a destruição da Terra, a valorização do próximo, a busca pelo amor. Essa é a Teoria da Pixar, aparentemente um retrato da nossa sociedade, pois a maior busca do ser humano é a busca pela felicidade, busca esta que reflete em toda nossa história e em praticamente todos os nossos atos.
Vale lembrar que tudo isso aqui escrito é pura especulação e está aberto a alterações. Qualquer acréscimo seria ótimo e o assunto poderia dar um estudo bem interessante! Talvez a madeira não seja realmente madeira, mas sim um símbolo da própria natureza, que é a chave para todas as ações humanas e deve ser protegida. Quem sabe, no fundo, se algum dia essas especulações forem dadas como verdade (o que é bem improvável, mas não impossível), a Pixar talvez quisesse passar a todos nós uma grande e importantíssima mensagem: não é só filme, não é só ficção, é reflexão, é precaução.
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